quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Fronteiras / Fronteras

Como comentei na última postagem, estive viajando nas últimas semanas, por alguns países da América Latina. Com o caderno e caneta na mochila, fui escrevendo sobre as coisas que feito faca, cortavam um pouco a carne. Aos poucos vou colocando aqui, com uma novidade, colocando também os poemas em espanhol, já que foram escritos em países que falam este idioma. 
Este primeiro poema escrevi logo após passar a fronteira entre o Brasil e a Bolívia, aí vai:

Fronteiras

Traços
que distinguem
diferentes traços de rosto
desenhos em moedas
nomes para as coisas
jeitos de tocar o violão
cores de bandeiras

Linhas
nada mais que linhas
que separam semelhanças
semeiam intolerâncias
apagam parentescos
e nos forçam a crer que cultura cabe
em quadrados desfigurados

Tudo que não passa
pelos muros imaginários
surpreende
confunde e intriga
nos deixa distintos
distantes

Mas tudo que atravessa
surpreende mais
se funde e se integra
nos deixa parecidos
o bastante
para perguntar:

Com que borracha apagamos esses rabiscos
feitos por crianças mimadas?
-- 
(en español)

Sigue el primer poema que escribi en un viaje por los países andinos que hice en las últimas semanas. En el viaje, con cuaderno y bolígrafo en mano, escribia sobre las cosas que, hecho cuchillo, me cortaban un poco la carne (como dice la canción brasileña que originó en nombre de mi blog - à palo seco). Poco a poco voy a publicar lo que escribi aqui, traduciendo al español cuando posible, pues estos poemas y cuentos han sido hechos en países donde se habla este idioma y donde hice buenos amigos. Este es el poema, hecho después que pasé por la frontera entre Brasil y Bolívia. 


Fronteras 

Trazos
que distinguen
diferentes rasgos faciales
dibujos en monedas
nombres para las cosas
maneras de tocar la guitarra
colores de banderas

Líneas
nada más que líneas
que separan semejanzas
siembran intolerancias
borran parentescos
y nos fuerzan a creer que culturas caben
en cuadrados desfigurados

Todo lo que no pasa por los muros imaginarios
sorprende
confunde e intriga
nos hace sentir distintos
distantes

Pero todo lo que atraviesa
sorprende todavía más
se funde y se integra
nos hace sentir tan prójimos
que vienen ganas de preguntar:

con que goma se puede borrar estos garabatos
hechos por niños mimados?

--


Foto desta fronteira, que achei no flickr, tirada por Arthur Zapparoli (http://www.flickr.com/photos/arthurgeek/4140551340/) . Tinha uma na minha câmera, mas perdi a câmera e o cartão junto!

Um comentário: